CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA À DISTÂNCIA – UFRGS
EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
DAIANY FERRÃO PIRES DE SOUZA
PÓLO SÃO LEOPOLDO

"Ao refletir sobre a abrangência do sentido e do significado do processo de Educação Inclusiva, estamos considerando a diversidade de aprendizes e seu direito a equidade."
Rui Barbosa
A Inclusão Escolar é uma realidade que cada vez mais faz parte do nosso cotidiano. Em minha escola neste ano são cinco alunos com necessidades especias: um menino com distrofia muscular de Duchenne com 14 anos (8ª série), uma menina com microcefalia decorrente de toxoplasmose com 15 anos (4ª série), uma menina com alteração fonoarticulatória com 5 anos (educação infantil), um menino com dificuldades motoras com 11 anos (1º ano) e um menino com alterações nos órgãos fonoarticulatórios com 6 anos (1º ano).
À alguns anos, quando trabalhei como P2 (professora que trabalha Artes e Recreação uma vez por semana), atendi um Pré Escolar, ainda como era chamado o 1ºAno, onde havia um aluno com 8 anos de idade cronológica e 3 anos de idade mental. Este aluno foi a primeira experiência que tive com alunos de inclusão. A titular da turma já fazia na época, um curso promovido pela SMED.
Com o passar do tempo fui conhecendo seus gostos e atividades que ele mais gostava. Ele iniciou o ano letivo só falando a palavra "Não". Tudo para ele era "Não". Depois, aos poucos com a ajuda e a convivência com os colegas ele foi aprendendo a dizer outras palavras. Foi gratificante ver o crescimento que ele teve, o quanto ele evoluiu no decorrer de todo o ano que passou.
Nossa escola possui 1219 alunos matriculados, sendo que deste total, cinco possuem necessidades especiais. São poucos, mas que necessitam de muito para seu desenvolvimento.
O município de São Leopoldo possui uma proposta de construção de escolas democráticas e inclusivas, centrada no respeito e na valorização das diferenças. As ações implementadas tiveram por base a Resolução nº 11.09.2001, do CNE-CEB, que determina que “os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos”.
Foram formados Grupos de Estudos mensais, Seminários, Oficinas e Cursos de Capacitação aos professores da rede. O NAPPI – Núcleo de Apoio e Pesquisa ao Processo de Inclusão, através da ação Institucional fez levantamento da realidade de cada escola, objetivando mapear quais as necessidades educacionais. Então foi criada uma “Rede de Apoio às Necessidades Educacionais”. A rede de assessoria pedagógica de apoio às necessidades educacionais especiais no município fica então constituída de cinco espaços (escolas) específicos e que atenderão diferentes escolas, de acordo com sua região de abrangência.
Devido à localização de nossa escola a Sala de Recursos Multifuncionais na qual nossos alunos frequentarão será da E.M.E.F. Álvaro Luiz Nunes, localizada no bairro Antonio Leite. O atendimento educacional especializado na sala de recursos multifuncional da escola caracteriza-se por ser uma ação do sistema de ensino, no sentido de acolher a diversidade ao longo do processo educativo, constituindo-se num serviço disponibilizado pela SMED, com a coordenação do NAPPI, para oferecer o suporte necessário às necessidades educacionais especiais dos alunos, favorecendo seu acesso e permanência na escola, uma vez que a sala terá ênfase nas Tecnologias Assistivas (recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência), para realizar a confecção dos materiais didáticos, pranchas e outros subsídios de Comunicação Aumentativa e Alternativa, jogos pedagógicos e outros recursos necessários para garantir uma aprendizagem de qualidade que respeite as particularidades dos estudantes. O atendimento será realizado individualmente, em duplas ou em grupos de acordo com as características e as necessidades dos alunos.
Segundo o NAPPI, foram registrados no ano de 2008 com a Sala de Recursos Multifuncionais da E. M. E. F. Paul Harris tiveram 376 atendimentos institucionais. Neste ano foram criadas mais três salas : Sala de Recursos Multifuncionais da E. M. E. F. Barão do Rio Branco, E. M. E. F. Álvaro Luiz Nunes e a da E. M. E. F. Maria Edila. Portanto neste ano o número aumentou, mas devido o índice decorrente de transferências, o relatório de atendimentos só será computado no final do ano letivo.
Em minha escola recebem atendimento especializado:
Educação Infantil: 1 AACD, 1 NAPPI;
1º Ano: 2 fonoaudióloga, 2 psicóloga, 1 APAE, 2 NAPPI, 1 Sala de recursos;
2º Ano: 1 fonoaudióloga;
3º Ano: 1 NAPPI, 1 Sala de recursos;
4º Ano: 1 fonoaudióloga;
4ª Série: 1 NAPPI, 1 sala de recursos;
6ª Série: 2 psicóloga
8ª Série: 2 psicóloga.
Durante a pesquisa com os professores, pude perceber que existem muitas outras crianças que necessitam de atendimento especializado, mas que infelizmente, não o possuem.
ESTUDO DE CASO
1. Dados de Identificação: Paula Silva da Silva, 15 anos, classe baixa.
2.Informações sobre a gestação e primeiros anos de vida do aluno: A gravidez de sua mãe no início foi tranqüila, mas na sua metade contraiu toxoplasmose. Durante o parto houve algumas complicações e a criança bebeu “água do parto” e nasceu com microcefalia decorrente da toxoplasmose. Em seus primeiros anos de vida sempre foi muito doente.
3.Questões orgânicas: doenças, tratamentos médicos e especializados, alimentação, doenças e condições de saúde em geral: Sempre foi muito doente quando criança, mas nunca pode procurar atendimento especializado para tratamento por motivos econômicos. Freqüentou a Apae por cinco anos. Come de tudo.
4. N° de pessoas e grau de parentesco das pessoas que compõem a família, quem cuida do aluno no dia a dia, quais são seus brinquedos e brincadeiras preferidas: A família é composta por quatro pessoas: o pai, a mãe, uma irmã e a Paula. Quem cuida da Paula diariamente é a mãe. Os brinquedos que ela mais gosta são bonecas e brincar de casinha. Paula tem uma relação muito forte com a família.
5. Questões de aprendizagem em sala de aula: tempo de concentração, grau de envolvimento com as atividades, grau de autonomia e independência na realização das atividades propostas em sala de aula: Em sala de aula ela é independente, realiza atividades de alfabetização, recorte e colagem que são oferecidas pela professora regente. Não gosta de pintar. É comunicativa, relata pequenos fatos do cotidiano. Adora falar sobre sua família. Não possui muito tempo de concentração, por isso realiza pequenas tarefas.
6. Encaminhamentos realizados na Escola: entrevistas e combinações com as famílias, encaminhamento à atendimentos médicos e especializados, etc.: Atualmente a aluna frequentará a Sala de Recursos dos Município e o Nappi. Nos anos anteriores sempre freqüentou o Nappi. Além dos recursos proporcionados pela escola a aluna não possui atendimentos médicos especializados.
7. Intervenções pedagógicas: Partindo do apresso contínuo que a aluna tem sobre sua família, tal assunto para um projeto em sala de aula, viria de encontro com o interesse do educando, pois assim promoveríamos uma aprendizagem qualificada. Poderiam ser realizadas atividades de desenho dos componentes da família, escrita de seus nomes, construção de uma árvore genealógica, de uma linha do tempo da vida de cada aluno, entrevistas com parentes, entre outras. Acredito que uma das principais atividades a serem realizadas com a Paula seria o Teatro, ou até pequenas dramatizações do cotidiano familiar. Uma pessoa capaz de expressar-se artisticamente é também capaz de participar de modo mais efetivo de seu contexto sociocultural, pois contribui produtivamente e transforma seu desenvolvimento em um constante processo de aprendizagem e de reconstrução de suas formas de expressão, exercendo, assim, sua cidadania. De acordo com Martínez (2001), os programas de desenvolvimento da criatividade são importantes para a promoção da saúde de pessoas com deficiências, pois ajudam a diminuir a vulnerabilidade aos agentes estressores que esses indivíduos têm que enfrentar, devido aos estereótipos e preconceitos presentes em nossa cultura. A arte permite a eles demonstrar que, apesar de suas limitações, possuem habilidades, sentimentos, desejos e opiniões, como qualquer outra pessoa, ou seja, a arte capacita o homem a compreender a realidade e ajuda-o não só a suportá-la como também a transformá-la, aumentando-lhe a determinação de torná-la mais humana.
8.Relacionamento na escola: A aluna possui bom relacionamento com colgas, professores e funcionários da escola, respeitando e intergindo durante as atividades escolares.
9. Movimentos para a inclusão na escola: A escola está dequando de acordo com as necessidades de cada caso, foram construídas rampas, para acesso à cadeira de rodas, comprados mais jogos para as salas de aulas, são disponibilizadas funcionárias para auxiliar as professoras na hora de levar os alunos com necessidades especiais ao banheiro, ao recreio, à merenda. As avaliações são diferenciadas, são realizadas de acordo com o nível de cada um, além de receberem encaminhamento ao Nappi e Salas de Recursos do município.
10. Envolvimento da família no processo de inclusão escolar: Nos anos anteriores a mãe não era muito presente na escola, mas com o passar dos anos isso foi melhorando. Agora ela participa ativamente da vida escolar da filha, mas não gosta muito de conversar sobre o problema da filha.
11. Quais as práticas pedagógicas inclusivas possíveis de serem efetivadas em sala de aula com o sujeito escolhido por você para o estudo de caso? Como sujeito inclusivo poderíam ser realizadas todas, mas algumas seríam de maior valia para seu desenvolvimanto e capacidades como: recreação, teatro, informática, passeios e visitas orientadas, além das atividades do cotidiano.
12. De que maneira(s) a presença de alunos com NEEs no ensino comum pode contribuir para a facilitação das aprendizagens da turma como um todo? A presença dos alunos com necessidades especiais ajudam na socialização e formação do respeito, da solidariedade e da cidadania, pois todos aprendemos muito uns com os outros independente das dificuldades de cada um.
13. Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso? Segundo a titular a avaliação é feita individualmente, de acordo com a necessidade especial do aluno, observando sempre seu crescimento, suas evoluções, assim como apresentado nos textos como a concepção vigotskiana,”a avaliação deve se pautar pela possibilidade de superação”, não devendo ser classificatória.
14. Quais as contradições em relação ao que foi observado? Não há contradições.
15. Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)? A avaliação foi feita através de um parecer descritivo, onde foi relatado todos os crescimentos intelectuais do aluno, de uma maneira não classificatória e comparatória.
16. Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado? Sim, pois ela é descritiva, não havendo vínculo a notas (classificação).
Comments (7)
Gi said
at 1:46 pm on Apr 19, 2009
Olá Daiane... Você descreve bem sua experiência com a área, procuraste articular sua opinião, comentários e problematizações apresentando uma descrição clara do processo educativo que vivencias demonstrando uma reflexão ampla, articulada e enriquecida. A inclusão do aluno especial na escola comum é um desafio. Essa é uma proposta ousada porque o grande entrave é justamente a formação dos professores, já que eles não estão sendo preparados para trabalhar com esse processo, para enfrentar os desafios e lidar com as diferenças dentro das salas de aula.
Na perspectiva da Educação inclusiva, temos de enfrentar a realidade de que cada um de nós é diferente e que ainda existem alunos ainda mais diferentes, que são aqueles com necessidades educacionais especiais. Para isso, é necessário que haja por parte da escola a flexibilização do currículo por intermédio das adaptações e novas práticas, para que através das aprendizagens, o indivíduo alcance um real desenvolvimento integral. Parece-me que seu município, esta promovendo esta flexibilização de forma a
promover condições necessárias para uma educação de qualidade através de serviços de apoio especializado e a percepção da dimensão de saberes que a diversidade tem a oferecer.
Gi said
at 1:49 pm on Apr 19, 2009
Em relação às políticas de inclusão, temos documentos diferenciados, tanto os que têm ação normativa, com força de lei (CF/1988, LDBEN. 9394 de 1996, Resolução CNE/CEB 02/2001), quanto o último e mais recente que é um documento orientador (Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva de 2008).
São documentos que defendem a Ed. Especial como “uma proposta pedagógica que assegura recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços
Educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o
desenvolvimento das potencialidades dos educandos. “Sendo que os sistemas de ensino devem constituir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial, dotado de recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva.”
No entanto, as escolas ainda continuam, na sua grande generalidade, sem recursos materiais e humanos para poderem implementar a inclusão, tal como é defendida! Acredito que deveríamos cobrar de todos aqueles que têm responsabilidade na ação política, que novos elementos sejam apresentados para uma reflexão mais crítica sobre a inclusão e os aspectos que devem ser contemplados para promovê-la. Implicando assim, na transformação do modo de se conceber a educação como um todo, a fim de que as escolas possam receber todos os alunos, quaisquer que sejam suas especificidades. Qualquer dúvida entre em contato. Abraços, Gi
Gi said
at 3:46 pm on May 15, 2009
Olá Dayane… Teu relato referente à PARTE A da unidade 3, está pouco aprofundado e atende em partes ao que foi solicitado, já que não colocas quantos alunos de cada modalidade da educação básica são atendidos em seu município (creches, pré-escolas, ensino fundamental) com este serviço(NAPPI). Abordando-o apenas de maneira geral. Desta forma, em virtude de termos um tempo demasiadamente curto, solicito que complemente o mapeamento destes atendimentos na TUA escola (em todas as etapas), até o dia 20/05.
Exemplo:
Pré-escola:
Atende 5 cças:
* 2 recebem atendimento de fono,
* 1 de psicopedagoga
* 1 de psicóloga
* 1 de psiquiatra
Primeiro Ano:
Atende 3 alunos:
* 2 recebem atendimento de psicólogo
* 1 de pedagoga
É sabido que algumas alunas já trouxeram informações nessa direção na unidade anterior, porém mais relacionados à sua classe. Agora gostaria que fosse ampliado para toda escola.
Solicito também que não retire as informações citadas anteriormente, já que são dados importantes e que revelam a realidade em que atuas.
Sobre o ESTUDO DE CASO, teus registros estão detalhados, evidenciando clareza na exposição de idéias, demonstrando o teu envolvimento com a temática abordada na interdisciplina. Conseguiste traçar um perfil do aluno escolhido para ser teu sujeito neste estudo de caso, atingindo assim, o objetivo proposto nesta unidade. Continues assim, investindo na construção deste dossiê, pois acredito que a diversidade de informações aqui relatadas, contribuirá para as próximas reflexões, a serem elaboradas nas unidades seguintes. Qualquer dúvida entre em contato. Abs, Gi
Gi said
at 12:55 pm on May 19, 2009
Dayane, a complementação do teu relato, corresponde as solicitações propostas nesta unidade. Qualquer dúvida entre em contato. Abs,Gi
Gi said
at 4:08 pm on Jun 12, 2009
Olá Daiany... Os dados trazidos por ti a cerca da complementação do teu estudo de caso, são realmente valiosos e atendem as propostas de nossa interdisciplina. Parabéns, pelo teu envolvimento e seriedade com a temática em estudo. Qualquer dúvida, entre em contato. Abs,Gi
Gi said
at 1:07 pm on Jul 3, 2009
Daiany... Com certeza as práticas pedagógicas inclusivas devem basear-se num trabalho multidisciplinar, procurando proporcionar o pleno desenvolvimento das potencialidades sensoriais, afetivas e intelectuais do aluno, mediante um projeto pedagógico que contempla os princípios da escola inclusiva, a fim de que se possa abranger toda a turma de tal forma que nenhum aluno seja discriminado. O sentido especial da educação consiste no amor e no respeito ao outro, na busca para melhor favorecer o crescimento e desenvolvimento do outro. Teus relatos contemplam os objetivos desta unidade! Fico aguardando a unidade 7, ok? Abs,Gi
Gi said
at 2:51 pm on Jul 6, 2009
Daiany... Para a construção de uma educação inclusiva, tal como é defendida, é necessário uma ação fundamentada pelo princípio da não segregação, ou seja, a inclusão de todos, quaisquer que sejam suas limitações e possibilidades individuais e sociais. Que não exclua educando algum, principalmente os portadores de deficiência.
Teus relatos contemplam os objetivos propostos neste eixo!
Para refletir:
“Certamente, um professor que engendra e participa da caminhada do saber "com"seus alunos consegue entender melhor as dificuldades e as possibilidades de cada um e provocar a construção do conhecimento com maior adequação (MANTOAN, 2003, p. 77).”
Um abraço, bom final de semestre e até o próximo! Gi
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